Eu quero escrever. Quero falar. Quero espremer qualquer dor pra fora. Quero não ter nada a ver com ela. Quero deixá-la pra trás. Isso não sou mais eu. Não faz quem sou. Não me define. Não me deixa contente ou descontente. Não faz da minha vontade um desejo ardente. Não transcreve meus íntimos e bem escondidos pensamentos.
Abre uma porta talvez. Para meus sombrios olhos. Minhas fluentes lágrimas. Meu coração talvez quebrado e perdido.
Mas agora acho que minto. Pois já sou inteira faz algum tempo. Juntei os pedaços faz algum tempo. Completei-me faz algum tempo. Mas não faço as regras. Acho que tento cumpri-las. Tento adequar-me ao convencional. Tento ajustar-me ao aceitável. Mas nunca ignorando os meus limites. Pois já sei que sou diferente. Que o genérico é ineficaz. Pelo menos comigo.
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